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Milhares vão às ruas em Hong Kong contra projeto de extradições para a China

Por: O Diario OLD
09/06/2019
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Milhares de pessoas saíram às ruas de Hong Kong neste domingo (9) para protestar contra um projeto de lei do governo local que prevê a alteração na lei de extradições para a China continental. A proposta autoriza o envio de suspeitos de crimes para serem julgados na China continental.

Após sete horas de manifestação, os organizadores estimavam que cerca de 1 milhão de pessoas participaram, ultrapassando de longe um protesto com quase metade desse tamanho que tomou as ruas em 2003 e teve êxito ao impedir planos do governo para leis de segurança nacional mais severas.

Já um porta-voz da polícia estimou que havia 240 mil pessoas na marcha "em seu ápice", segundo a agência Reuters.

Alguns carregavam guarda-chuvas amarelos - um símbolo dos protestos pró-democracia que tomaram as principais ruas da cidade por 79 dias em 2014.

O projeto é criticado pela falta de transparência do sistema jurídico chinês, que aplica a pena de morte, e está em análise no parlamento local. A iniciativa preocupa também os empresários, que temem que isso afete a atratividade do mercado financeiro da ilha.

Pressão sobre a administração local

 

A incomum ampla oposição ao projeto vista neste domingo ocorreu em meio a uma série de medidas do governo para aprofundar os laços entre o sul da China continental e Hong Kong. O protesto aumenta a pressão sobre a administração da executiva-chefe de Hong Kong, Carrie Lam, e seus apoiadores oficiais em Pequim.

"Ela tem que desistir da lei e renunciar", disse o veterano congressista do Partido Democrático, James To, à multidão reunida do lado de fora do parlamento e da sede do governo no distrito comercial do Almirantado na noite de domingo.

Lam ainda não fez comentários sobre a manifestação e o futuro do projeto, que deve ser debatido no Conselho Legislativo na quarta-feira e poderia ser aprovado até o final de junho, destaca a Reuters.

As autoridades de Hong Kong afirmam que o sistema judiciário local vai continuar tendo a palavra final sobre os pedidos de extradição mesmo que a mudança da lei seja feita.

 

O território, que é ex-colônia britânica, foi devolvido ao governo chinês em 1997, em meio a garantias de autonomia e várias liberdades, incluindo um sistema legal separado, que muitos diplomatas e líderes empresariais acreditam ser o ativo remanescente mais forte da cidade.

 

O acordo "um país, dois sistemas", estabelecido quando o Reino Unido devolveu Hong Kong à China, permite que a cidade goze de direitos que não existem no continente, incluindo a liberdade de expressão.

 

G1

 

O Diario OLD

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